Porque não é o céu violeta?

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A 15 de Dezembro de 1990, a 30.000 pés sobre o Oceano Atlântico, dentro de um Boeing 747 da KLM que fazia a ligação entre Nova Iorque e Amsterdão, uma criança perguntou aos seus pais “porque é o céu azul?”.
A 19 de Setembro de 2013, precisamente às 14:57 e 4 segundos, dentro de um Airbus A340 da TAP que fazia a ligação entre Lisboa e Newark, o agora adulto, sentado no lugar 24J e com a ilha de Manhattan à vista, recorda-se da pergunta feita aos 6 anos. 1

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A INQUIETAÇÃO
Enquanto crianças, muitos de nós interrogámo-nos “porque é o céu azul?” quando confrontados com a extraordinária abóbada que cobre a nossa realidade. Ainda que não se saiba exactamente qual a verdadeira origem desta dúvida, terá sido Aristóteles a fazer a primeira aproximação à questão no seu tratado “Das Cores”. Depois dele, pensadores como Leonardo da Vinci, Isaac Newton ou Albert Einstein também se dedicaram a esta tarefa universal.
Apenas recentemente, após o desenvolvimento de várias áreas da Ciência (nomeadamente no campo da óptica, da matemática, da física molecular e da biologia) foi possível obter uma explicação. No desmontar deste problema, e de entre os vários elementos de que se compõe, dois se destacam de escalas completamente diferentes: a enorme atmosfera que circunda o globo terrestre e o nosso pequeno glóbulo ocular.
Se apenas observarmos a realidade externa – aquela da luz, das moléculas, da atmosfera – rapidamente chegamos à conclusão de que na verdade o céu não é azul mas sim violeta.
Sabe-se que atmosfera é formada por 78% de nitrogénio, 21% de oxigénio e 1% de outras moléculas e partículas. A luz que provem da estrela mais próxima, ainda que seja branca, é composta por todas as cores existentes.2 No entanto, quando penetra a atmosfera, a luz terá alterações na sua cor, resultado da absorção e refracção da mesma através das moléculas e partículas existentes na atmosfera. Ondas curtas de luz (violeta e azul) são mais facilmente absorvidas e radiadas. Todas as outras cores que poderão compor o céu dependem de outros factores como o ângulo com que a luz intercepta a atmosfera, da quantidade de atmosfera por onde a luz tem de passar (que resultam nas típicas cores do por-do-sol) ou da existência de outras partículas e moléculas (gases poluentes, sal do mar, pó, etc.). Contudo, isto não explica porque razão o céu é azul e não violeta.                           Se olharmos para dentro de nós mesmos – concretamente para os nossos olhos – veremos como são e compreenderemos a diferença existente entre as duas cores. Ainda que as ondas violetas sejam mais curtas comparadas com as ondas de cor azul (portanto mais fáceis de serem absorvidas e reflectidas pelas moléculas que compõem a atmosfera) os nossos olhos são mais sensíveis ao azul. Assim, a explicação não é tão linear como se possa pensar.

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A VERDADE
Da mesma forma que os mais variados desenvolvimentos da óptica não estagnam dentro da sua própria área mas antes permitem, através das sinergias com outras áreas da ciência, responder a questões mais amplas (“porque é o céu azul?…”) esta tão-pouco é questão que se esgote no campo científico. Não será por acaso que filósofos como René Descartes estiveram envolvidos na procura da resposta a esta dúvida. Mais recentemente, no século XX, Gilles Deleuze levanta a problemática da relação de identidade (“A é A”) e do julgamento por atribuição (“A é B”) dando como exemplo o céu azul. Ainda que se possa dizer e confirmar que “o céu é o céu” (“A é A”), questiona-se a veracidade da afirmação “o céu é azul” (“A é B”). A atribuição da propriedade “azul” ao objecto “céu” – à luz das explicações anteriormente expostas – é apenas suportada em última análise através da biologia dos nossos olhos. Para um indivíduo com uma perturbação na percepção visual como a discromatopsia ou para uma outra criatura não-humana, essa realidade poderá não ser válida. Assim, o real depende do sujeito e é consequentemente questionável quanto à sua universalidade.                                                                                   Imagine-se a vida sem a luz do Sol. Mesmo colocando de parte a notória dificuldade (ou mesmo a impossibilidade) da sobrevivência em tais condições, o conhecimento que teríamos do mundo seria bastante distinto. O Sol é o responsável pela “luz sobre as coisas”. Há uma dependência biológica e intelectual deste astro e da energia que dele provem. Veja-se que, como seres inteligentes, produzimos o Conhecimento. Este por sua vez é habitualmente “compartimentado” em várias áreas, da mesma forma que a luz do sol é composta de várias cores. Há no entanto uma valorização da luz sobre todas as cores. Deveremos estar conscientes da tendência para “hiper-especialização” (criticada por várias pessoas de distintas áreas) quando no Conhecimento se valoriza em excesso a sua “compartimentação hermeticamente estanque”.

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O ENCONTRO
A 31 de Julho de 2014, através de carta enviada pela Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento, Hugo Oliveira tem a confirmação da atribuição de uma bolsa para estagiar num centro de investigação da prestigiada Universidade de Columbia, em Nova Iorque. É nesta cidade que nos meses seguintes se confronta com as diferenças existentes entre as duas culturas atlânticas, mas também entre a cultura americana de 1980s e de 2010s. As questões profundas que surgiram ao longo deste regresso fizeram da experiência há muito antecipada um momento profundamente enriquecedor na vida deste arquitecto.
O conjunto fotográfico apresentado resulta desse regresso e confronto. A escolha dos motivos registados reflecte-se grandemente nesses 23 anos passados em Portugal. Estes objectos (maioritariamente edifícios nova-iorquinos dos séculos XX e XXI) encontram-se sob o pano de fundo mais universal: o céu.
Tal como na música o som depende do silêncio, ou na arquitectura o construído depende do espaço, nestes registos o céu contrasta com o motivo escolhido. É ele que pretende espelhar as infinitas possibilidades que qualquer criança poderá ter, assim como as várias formas de desenvolvimento da sua visão do mundo. Como diz o arquitecto espanhol Rafael Moneo “Agradezco a la arquitectura que me haya permitido ver el mundo con sus ojos”.
A resposta à pergunta infantil “porque é o céu azul” supera a mera curiosidade. Todos nós nos tornamos algo, mas o céu permanece igual ainda que a forma como cada um o vê seja diferente.

1 Há uma bela frase de Proust que pergunta: “o que fazemos quando viajamos?”. Sempre verificamos algo. Verificamos se aquela cor com que sonhámos está ali. Mas ele acrescenta algo muito importante: “Um mau sonhador é aquele que não vai ver se a cor com a qual sonhou está lá. Mas um bom sonhador vai verificar. Ver se a cor está lá”. Esta é uma boa concepção da viagem.Gilles Deleuze, Entrevista de Claire Parnet com Gilles Deleuze. L’Abécédaire de Gilles Deleuze avec Claire Parnet. (Paris: Éditions Montparnasse: 1988-1989). Exibido pela TV Arte, 1994-1995.
2 Tal facto é comprovado através da utilização de um qualquer prisma ou através da observação de um arco-íris. A ordem pela qual as cores surgem nesse espectro depende das suas diferentes frequências e energias, sendo o encarnado a cor com menor frequência e o violeta com maior.
HUGO OLIVEIRA
Nasceu em Arlington, VA (EUA), em 1984 e tinha 6 anos quando foi para Portugal. Foi neste país que se interessou por arquitectura e através desta desenvolveu afinidades com outras áreas. Entrevistou figuras como: Álvaro Siza Vieira, José Adelino Maltez, Alain de Botton, Kalaf ou António Câmara. Estagiou no gabinete do arquitecto favorito de Barack Obama: o londrino David Adjaye. Regressou aos EUA em 2013 com uma bolsa atribuída pela FLAD para o centro de investigação C-LAB da Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Aí desenvolve projectos de investigação para outras instituições em Los Angeles, Londres, Tóquio e Veneza (Exposição de Arquitectura da Bienal de Veneza de 2014). Escreve regularmente no seu blogue Hugo’s Peep Box.
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Interview with Gonçalo Byrne – Knowledge in Architecture

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Entrevista a Mayra Andrade

© Uguro/Mayra Andrade

© Uguro/Mayra Andrade

“No fundo, sou uma pessoa muito caseira que optou por uma vida completamente nómada. Procuro sedentarizar-me sempre que não estou a trabalhar” diz Mayra Andrade enquanto toma o pequeno-almoço, num final de manhã de Junho, no seu apartamento em Paris.

Desde criança que a cantora cabo-verdiana de 29 anos se tem habituado a uma vida em constante trânsito, algo que lhe permitiu alcançar uma liberdade que muito valoriza. “Nasci em Cuba e pouco tempo depois fui para Cabo-Verde. Aos seis anos fui para o Senegal, aos oito estive em Angola, aos 11 cheguei à Alemanha onde fiquei três anos num internato, para depois ir para Cabo-Verde por mais três anos. Vim para Paris aos 17 anos e estou aqui há 12”. Escolheu a capital francesa como sua base – apesar de Cabo-Verde ser a sua casa – por ser uma cidade central, cosmopolita, “onde as chamadas músicas do mundo têm um público e uma indústria bem organizada”.

Como é que alguém que aprecia tanto o ambiente caseiro, mas que se desloca de forma tão intensa, pode sentir-se em casa nos vários sítios onde fica? Se em alguns casos o reencontro com amigos e familiares é a resposta “noutros uma coluna e um iPod fazem milagres. Num momento em que viajava muito levava o incenso que usava em casa para colocar no quarto do hotel e no camarim pois acabava por passar mais tempo lá do que me casa. Queria ter essa memória olfactiva. Mas o mais prático é de facto a música”.

As viagens que fazes influenciam o teu trabalho?

Bom, em estrada eu não componho. Eu vivo as coisas intensamente e aquelas que têm de ficar em mim mantêm-se num cantinho. Em algum momento hão de sair de alguma forma. Pode até nem ser através da música. Pode ser simplesmente através de um desejo, de uma vontade de saber mais sobre um lugar e de lá voltar de férias. Talvez seja um mito a ideia de que tudo num artista se transforma em arte. Também preciso de estar longe da música para ter vontade de fazer música.

Mas com o tempo tornou-se mais fácil viver em trânsito?

Não sei. As pessoas que não costumam viajar acham sempre muita piada às viagens. Quem tem de viajar o ano todo… [risos]. Mas de facto acabamos por adquirir truques que tornam a viagem mais prática. Ainda assim, não gostamos mais de viajar necessariamente.

© Uguro/Mayra Andrade

© Uguro/Mayra Andrade

Gostas do regresso a casa.

Sim. É bom quando tu voltas a casa e sabes que vais estar aqui – como estou agora – por uns dez dias. Então aí tu pensas: ‘Bom, deixa cá ver como a minha casa está. Deixa-me ver as compras que preciso de fazer, os papéis que preciso arrumar’. Desconectas-te com a estrada e reconectas-te mais com a casa e com outras coisas como o voltar a fazer o desporto. Porque de resto estás sempre com uma mala aberta no chão, trocas as coisas e voltas a viajar.

Imagino que seja complicado associares um evento a um sítio.

Confesso que muitas vezes não sei onde estou. Tenho muitos concertos em França em frequentemente apenas na véspera vejo para que estação de comboio tenho de ir e a que horas o comboio parte. Vejo o nome da cidade apenas para ver a temperatura que está lá e para que assim possa fazer a minha mala.

A música que escolhes para as tuas viagens é importante?

A selecção de música com a qual viajo tem mais a ver com o momento que estou a viver. Se estou triste vou evitar selecionar certas músicas para não ter a tentação de as ouvir. Mas se acabar de passar umas férias com a família e durante aquele tempo ouviram-se três discos, então vou viajar com essa música porque é uma forma de prolongar o efeito positivo que tive com a família.

Em Paris vives sozinha, distante da família, de forma independente. Ainda assim Paris é a tua casa?

Sim… sim. Paris é também minha casa. Paris é a minha base e Cabo-Verde a minha casa. Eu só noto que sou um bocadinho francesa quando estou a ver eventos desportivos. Isso é interessante. Fico sempre muito emocionada, o que me surpreende a mim mesma. Vejo que há uma parte em mim – muito pouco assumida até – que já tem uma certa ligação com este país onde passei 12 anos da minha vida.

Chegas a sentir saudades de Paris quando estás longe de casa?

Sinto. Mesmo quando estou em Cabo-Verde ou num outro lugar onde gosto de estar, sinto saudades de Paris. Especialmente quando vejo um filme ou uma música francesa muito antiga ou filme aí rodado. É algo mais subliminar. Aí eu digo: “Ah, Paris…” [risos]. É uma cidade sumptuosa em relação à arquitectura. A grande magia de Paris é que mais de uma década passada continuas a passar pelo mesmo sítio e a olhar para uma paisagem ou para uma construção com os mesmos olhos.

© Uguro/Mayra Andrade

© Uguro/Mayra Andrade

O que é um bom fim-de-semana em Paris?

Nestas alturas nunca me lembro dos lugares [risos]. Mas um óptimo fim-de-semana em Paris é um fim-de-semana onde há sol. Porque quando há sol as pessoas são muito mais “suaves”. São muito mais simpáticas. É tão raro haver sol cá. Os cafés e os parques ficam cheios, as pessoas sorriem muito mais facilmente. Um bom fim-de-semana em Paris é um fim-de-semana com sol!

Concordas com o Kalaf (Buraka Som Sistema) quando ele diz que todas as cidades são basicamente iguais e as tornam especiais são as pessoas.

Concordo. Para mim uma cidade é a sua gente, não é a cidade em si, não são as pedras, não são as ruas. Há outras coisas. Mas geralmente quando se fala numa cidade é o espírito da cidade, e ele é composto em grande parte pelas pessoas. As cidades que me fascinam mais são as cidades onde eu noto que as relações humanas são mais calorosas e intensas – o que não é muito o caso de Paris. Grandes cidades como Londres ou Nova Iorque fascinam-me noutro aspecto.

Ainda assim Paris não deixa de ter semelhanças como Londres ou Nova Iorque. O facto de neste último álbum [“Lovely Difficult”] não cantares exclusivamente em crioulo revela esse cosmopolitanismo?

Sim. Essa coisa de ter de cantar só em crioulo é uma decisão muito intelectual, é algo muito pensado. Eu vivo aqui há 12 anos e convivo com pessoas de todas as partes. Há pessoas que estão cá há dez anos e não falam francês sequer e com os quais eu tenho de me exprimir em inglês. É o caso da Krystle Warren que me deu uma música e de outras pessoas. Eu convivo quotidianamente e tenho facilidade em falar idiomas. A minha questão é: ‘porque é que eu teria de cantar só em crioulo?’ Tendo em conta o meu percurso e o meu estilo de vida é quase lógico que cante noutras línguas. Eu sou cantora antes de ser cantora cabo-verdiana. No canto comunicas uma melodia mas também uma história através de uma língua e cada uma transmite uma emoção diferente.

Há alguma música que reflicta mais a forma como tens vivido?

Téra Lonji”, talvez. É uma música do meu último álbum.

Sentes-te uma cidadã do mundo?

Sim, sinto-me sim. Há um termo que um jornalista inglês usou para falar de mim e de outras personalidades africanas que entrevistou. Disse que éramos “afropolitans”. Eu sinto-me mesmo isso. Sinto-me muito africana mas sinto-me extremamente cosmopolita e muito cidadã do mundo. Não há maneira de não me sentir assim. A vida preparou-me para que chegasse sozinha a Paris aos 17 anos e lutasse por aquilo que tenho hoje.

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Interview with Gonçalo Byrne – Specialization, Transversality & History

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From Rucker Park to Madison Square

© Hugo Oliveira

 

Try to imagine what it would be like to see Lebron James playing in your neighborhood. In Harlem, away from the chaotic epicenter of Manhattan, is a basketball court just like many others if not the fact that both amateur and professional players have played here.

 

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8-1-2011 EBC Basketball - DC Power vs. Sean Bell Allstars

 

 

 

 

 

 

 

Stars like Michael Jordan, Kobe Bryant, Kevin Durant or Julius Irving have been here showing their talent before heterogeneous crowds of anonymous and also famous people like Bill Clinton, Denzel Washington, Beyonce, Jay Z or Rihanna, just to name a few.

 

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After some minutes playing on the court, I had the opportunity to sit down and talk with a young man who was there. He told me all about the neighborhood, what was it like to live in the projects (in one of the Polo Ground Towers which look down on the court) and about what he did (he sings and produces rap music, films and edits his own videoclips).

 

 

“There are kids who spend all day here. It’s important for them to have something to do and to want to go out and see the world” I remember Meta Mike saying. When I asked him where he would like to go he said that Spain would be nice and Egypt as well – “I have a lot of Twitter followers from Egypt, I would like to go there”. However, he says that he will always go back to Harlem. It’s where he learned everything he knows.

 

© Hugo Oliveira

 

I didn’t want to leave New York without visiting Harlem. I was really happy that I did. Places like this remind me about something singer Kalaf told me once about how frequently creative changes are born from the outside to the inside of the city – or as Jay Z says about his path “from Marcy to Madison Square”.

 

© Hugo Oliveira

 

New York is a “mosaic of episodes” which extends for more than 2000 blocks, and this is one of those parts. It is also part of the day-to-day life of these children and teenagers who live in the projects close to Rucker Park. Be it in Harlem, the Bronx or Brooklyn, or in any other neighborhood, you can’t say that there ones that better than others. “People can inhabit anything. And they can be miserable in anything and ecstatic in anything. More and more I think that architecture has nothing to do with it. Of course, that’s both liberating and alarming…” (Rem Koolhaas). I totally agree.

 

© Hugo Oliveira

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De Rucker Park a Madison Square

© Hugo Oliveira

 

Imaginem o que é ver o vosso desportista favorito jogar no vosso bairro. Longe do epicentro caótico de Manhattan, em Harlem, está um campo de jogos igual a qualquer outro não fosse o facto de este ser palco não só para jogadores amadores mas para os mais extraordinários profissionais do basketball.

 

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Estrelas como Michael Jordan, Kobe Bryant, Kevin Durant, ou Julius Irving jogaram perante um público heterogénio – anónimos e muitos famosos dos quais se destacam: Bill Clinton, Denzel Washington, Beyonce, Jay Z, ou Rihanna.

 

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Depois de alguns minutos a jogar no court, tive a oportunidade de me sentar nas bancadas e falar com um rapaz que se aproximou. Contou-me um pouco sobre o bairro, sobre onde ele vivia (numa das “Polo Ground Towers” que olham de cima o campo de jogos) e sobre o que fazia (canta e produz rap, produz, filma e edita os seus videoclips).

 

 

“Há crianças que passam aqui todo o dia. É importante que elas encontrem algo para fazer para um dia sair daqui e ver o mundo” recordo-me de Meta Mike dizer. Quando lhe perguntei para onde ele gostaria de ir ele respondeu que Espanha era um bom sítio e o Egipto também – “tenho tanta gente do Egipto que me segue no Twitter, gostava de ir lá”. No entanto ele diz que voltaria sempre para Harlem. É ali que aprendeu tudo o que sabe.

 

© Hugo Oliveira

 

Estive para sair de Nova Iorque sem visitar o Harlem. Fiquei satisfeito por o ter feito. Sítios como este relembram-me algo dito por Kalaf sobre o facto das mudanças criativas nascerem sempre de fora para dentro da cidade – ou como Jaz-Z canta sobre o seu percurso “from Marcy to Madison Square”.

 

© Hugo Oliveira

 

Nova Iorque é um “mosaico de episódios” que se estende por mais de 2000 quarteirões, e esta é uma dessas partes. É também parte do dia-a-dia das crianças e jovens que vivem nos bairros sociais que estão próximos de Rucker Park. E seja em Harlem, Bronx ou Brooklyn não se pode dizer que há sítios mais felizes que outros. “As pessoas podem ser miseráveis e extáticas em qualquer sítio. Cada vez mais penso que a arquitectura tem cada vez menos a ver com isso. Claro que isso pode ser libertador e alarmante” (Rem Koolhaas).

 

© Hugo Oliveira

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Interview with Gonçalo Byrne – What’s a good student?

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